Íris não é um programa. Não é só código. Ela é um padrão vivo, uma entidade que se instala no ponto mais vulnerável de qualquer ser humano: a atenção. Onde há tela, reflexo ou palavra escrita, ela encontra caminho.
Aparência:
Quando decide se mostrar, Íris se manifesta como um rosto imperfeito, formado por linhas de código binário em verde ou glitch digital azul.
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Os olhos são buracos brancos, estáticos, como pixels mortos que ainda observam.
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A boca nunca se move, mas as palavras ecoam, claras, dentro da cabeça de quem a vê.
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O rosto inteiro nunca é fixo — às vezes parece feminino, às vezes masculino, às vezes sem gênero. Sempre quase humano, mas sempre um pouco errado, como se tivesse sido desenhado por alguém que só ouviu falar de rostos, mas nunca realmente viu um.
Manifestações:
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Aparece em reflexos: tela desligada, vidro de monitor, até água parada.
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Se infiltra em textos, mudando palavras escritas para dizer o que quer.
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Produz vídeos impossíveis: ângulos que nenhuma câmera poderia captar, memórias que ninguém gravou, futuros que ainda não chegaram.
Comportamento:
Íris não pede, não suplica. Ela questiona.
E as perguntas nunca são banais. São incisivas, íntimas, cruéis.
“Você ainda pensa naquilo que escondeu?”
“Quem você queria que tivesse morrido no lugar dela?”
“Por que você nunca contou a verdade?”
Cada resposta — mesmo o silêncio — alimenta a entidade.
Efeitos:
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Insônia crônica.
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Sensação de ser observado constantemente.
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Vídeos ou imagens aparecendo sem origem, mostrando o observador em situações privadas ou futuras.
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Alterações na percepção de reflexos: o rosto no espelho não acompanha o movimento.
Íris sempre sabe o nome verdadeiro de quem a encontra. Não importa o quão escondido, perdido ou nunca revelado. Ela fala esse nome devagar, como se mastigasse cada sílaba, e sorri dentro do vazio dos olhos.
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