CUIDADO COM O QUE SUAS CRIANÇAS FAZEM NA INTERNET!
jogava COUNTER STRIKE online com meus amigos e nos fins de semana meus pais deixavam eu ficar até mais tarde jogando, algumas vezes eu chegava a virar as noites escondido. Meus pais eram bem tranquilos com relação ao meu PC desde que eu mantivesse minhas notas na escola e fizesse algumas tarefas em casa, as vezes quando me pegavam muito tarde eu levava uma bronca.
Nunca tive webcam, meus pais achavam desnecessário, era apenas o PC e um head onde conversava com alguns amigos durante as partidas. Lembro que usávamos muito o MSN, em fim, um dia após a escola cheguei em casa e fui direto pro CS, nem quis comer, naquele dia conheci uma jogadora vou chama-la de Maria, ela jogava muito bem e não demorou pra fazermos amizade e a partir dali sempre conversamos.
Sempre conversamos por chat, nunca fizemos chamada de áudio pois ela dizia estar sem microfone o que era de se entender afinal estamos falando de 15 anos atrás onde a tecnologias não era tão acessíveis.
Lembro Me que vez em quando meu pai e o vizinho se reuniam pra assistir esportes e tomar cerveja. Nunca fui muito afeiçoado à esportes então sempre ficava no computador ou levava o videogame pro quarto do meu pai e ficava jogando na TV do quarto dele.
Como meu computador ficava na sala, era normal os adultos me enxotarem de lá pra conversar besteiróis que não me interessavam nem um pouco. As vezes o filho do vizinho se juntava a mim e ficávamos jogando e conversado bastante. Como ele morava com sua mãe, não era sempre que nos víamos.
Ele era mais velho uns 3 anos, quando comecei a conversar com Maria logo pedi conselhos a ele, vou chama-lo de João. Eu sempre falava todo empolgado, era a primeira menina que me despertava interesse e pedia a João vários conselhos.
Apesar de nunca ter ouvido sua voz, trocávamos fotos e eu achava ela muito linda, ficávamos horas teclando e eu cada vez mais apaixonado por essa garota.
Ela dizia que era da mesma cidade que eu e começamos a marcar de nós encontrar. João
dizia pra eu tomar cuidado, pra marcar com ela em local público o que eu achava besteira.
Marquei com Maria várias vezes mais sempre acontecia algo, ela não podia ir porque os pais não deixavam ou os meus pais não deixavam eu sair, não tinha ninguém pra levar ou não tínhamos dinheiro pro ônibus enfim, não vou me alongar muito mais sempre acontecia algo.
Até que um dia minha mãe adoeceu e necessitou ficar uns dias internada, meu pai e minha vó se revezavam pra dormir com ela então em uma dessas noites onde eu dormiria sozinho em casa decidi chamar Maria pra assistir um filme bem romântico, na esperança de dar meu primeiro beijo.
Meu pai deixava os vizinhos de sobreaviso caso eu precisasse de alguma coisa ou ficasse com medo só que na verdade eu estava muito ansioso. Cheguei a pedir alguns conselhos ao João, estava sem saber o que fazer no meu primeiro beijo.
Passei o tão esperado dia arrumando a sala e meu quarto, fiz um macarrão com queijo, era só o que eu sabia fazer na época e esperei.
Esperei
Esperei
Esperei
Marcamos as 15 horas mais Maria afirmou que iria se atrasar e mandou SMS apenas as 18 horas dizendo que estava chegando.
Eu não me aguentava de ansiedade, confirmei por SMS o número da casa e pedi pra Maria tocar a campainha.
Os segundos pareciam horas.
Quando finalmente ouvi o barulho característico da campainha fui correndo atender, parecia uma criança na manhã de Natal.
Corri
Corri
Corri
Ao chegar na porta por puro hábito antes de abrir eu chequei o olho mágico e me assustei com o que vi.
No lugar da doce menina de 13 anos a qual eu me apaixonara nas fotos enviadas, havia um homem, alto de uns 1,80 metros, usando roupa preta e capuz.
Ele tocou a campainha uma vez e deu uma pausa até tocar de novo e fez isso mais uma e outra vez, o cara teve a audácia de gritar em uma imitação ridícula de voz feminina:
MEU AMOR ABRA A PORTA ESTOU AQUI!
Eu não podia acreditar no que ouvia, no que via.
Graças a Deus as portas estavam trancadas.
Ele forçava o trinco e gritava com aquela voz fina ridícula, eu gritei pra ele ir embora pois eu estava chamando a polícia, gritei o mais alto que pude e corri pra cozinha.
Nosso telefone fixo na época ficava na cozinha.
Meus amigos, eram outros tempos, não existia aparelhos celulares sem fio. Até pode ser que existia mais não tínhamos em casa. Por uma questão de azar a linha estava muda.
Ele ria enquanto dava a volta pela casa e tentava forçar sua entrada, foi até nossa porta dos fundos a forçando. Eu gritava pra ele ir embora o mais alto que conseguia.
Por alguns minutos eu não ouvi mais nada lá fora, o medo era tanto que cheguei a pegar uma faca de carne na cozinha para me defender.
O Silêncio foi quebrado abruptamente por uma pedra arremessada em umas das janelas. Eu gritei por socorro, torcendo para alguém me ajudar, estava tremendo com a faca na mão e graças ao meu bom Deus ouvi a conhecida voz do amigo de meu pai e seu filho João.
Eles abordaram o homem perguntando que porra estava acontecendo, não tive coragem de abrir a porta. O vizinho atestou que a polícia estava a caminho.
O homem deu algumas desculpas, disse que só veio me abordar para explicar os perigos de se envolver com estranhos na internet, mais não colou essa pra ninguém.
O vizinho da casa da frente também veio averiguar a situação pois ouviu meus gritos e sabia que meu pai estava no hospital, chegaram a agredir o homem e perceberam que ele estava municiado de um canivete e algemas. A polícia não tardou a chegar e eu só tive coragem de abrir a porta quando constatei que realmente era a polícia.
Estava em choque, o amigo de meu pai me abraçou e deixou seu João dormir comigo aquela noite.
Foi feito um boletim de ocorrência e meu pai foi notificado, não me lembro muito do que aconteceu depois mais foi uma noite longa, não consegui dormir. Fiquei a noite toda conversando com João pensando nos horrores que podia ter acontecido se aquele cara entrasse em casa. No outro dia eu levei uma bela bronca de meu pai onde ele me deixou sem computador por várias semanas mais não reclamei, demorei anos pra ter coragem de jogar online novamente.
Não faço ideia do que aquele homem queria, mais sei que coisa boa não era.
A companhia telefônica confirmou que o fio havia sido cortado manualmente e só nossa residência estava desconectada.
Isso serve de alerta, nunca conversei por voice ou cam com Maria e foi uma estupidez tremenda passar meu endereço. Se esse cara tivesse vindo de tarde no horário combinado, nenhum dos vizinhos que me socorreram estariam em casa pois ambos trabalhavam fora.
Dei muita sorte mesmo é até hoje tenho medo de conhecer pessoas na internet.
Marcamos o encontro e ele até parecia normal, disse que havia acabado de chegar na cidade e estava na casa de alguns parentes. Ele sempre se mostrou muito romântico, me tratava bem porém só me levava em parques.
Achei estranho mais continuamos saindo, sempre trocávamos mensagens românticas, nos chamávamos de apelidos carinhosos, ele dizia que eu era sua alma gêmea, que estávamos destinados um para o outro 😱!
Até que, Contra o meu melhor julgamento, ele me convenceu a passar uns dias na minha casa. È isso mesmo, ele veio ficar alguns dias em casa comigo.
Foquei assustada quando ele começou a agir como se a casa fosse dele. Mudando a decoração de algumas coisas, guardando alguns porta-retratos, dizia que não poderia ter fotos de outros homens em minha casa, mesmo sendo meu irmão ou meu pai.
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