Um ônibus, um destino impossível e meu relato no canal do Luciano!
Gente, preciso compartilhar um causo daqueles que só acontece comigo e, dessa vez, ganhou até voz no YouTube!
Há alguns anos, vivi uma experiência muito estranha: peguei um ônibus que acabou me levando para um lugar que, honestamente, não existe. Sério, foi um dos episódios mais bizarros e inexplicáveis da minha vida.
Achei a história tão surreal que enviei o relato pro Luciano, Ele achou o acontecimento tão interessante que decidiu contar tudo no canal dele, com direito a minutagem certinha pra quem quiser ouvir minha história na voz dele.
O link e o tempo exato estão logo abaixo!
CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR A MINUTAGEM DO RELTO
28:29 MINUTOS
Uma observação importante: quando mandei esse relato pro Luciano, pedi anonimato. Na época, eu estava passando por uma fase bem complicada — alguns seguidores tinham cruzado todos os limites, chegaram até meu local de trabalho, descobriram detalhes da minha vida pessoal… Foi por isso que optei por não me identificar, e nem sabia se um dia teria coragem de voltar com o blog.
Esse relato ficou guardado por anos, mas agora que o Luciano contou no canal dele (recentemente, faz só algumas semanas!), decidi dividir aqui também, pra quem quiser conhecer esse episódio pelas duas perspectivas: o vídeo dele e o meu relato original, completo, logo abaixo.
Aproveitem pra assistir, deixar um like no vídeo do Luciano e apoiar o trabalho dele, porque é raro encontrar um canal que leva relatos assim tão a sério. Espero que gostem e, como sempre, fiquem à vontade pra comentar ou compartilhar suas próprias experiências.
Segue a minutagem do vídeo e, mais abaixo, meu relato na íntegra!
CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR A MINUTAGEM DO RELTO
28:29 MINUTOS
SEGUE O TEXTO ORIGINAL DO JEITO QUE EU ENVIEI A UNS ANINHOS ATRÁS PRA ELE.
Olá, Luciano, boa noite.
Conforme disse no áudio, eu me chamo karinni, tenho 28 anos e resido na grande capital paulista. Eu sou muito fã do seu trabalho e, por isso, se achar legal postar no seu canal sobre o que aconteceu comigo, sinta-se super a vontade, só não fale meu nome, por favor.
Desde pequena, muita coisa esquisita acontece comigo, se eu fosse falar tudo, coisa por coisa, iria dar umas 40 páginas. Diretamente, não ouvi a palavra sete além, ou coisa do tipo, mas o grau de bizarrice é surreal. Visto sua experiência no ramo, sua opinião é muito legal para mim.
Só não vá achar que sou louca (risos).
Vamos lá, vou relatar sobre 3 ocasiões relacionadas ao que poderia ser um bug dimensional ou algo do tipo. Realmente, muito bizarro.
Em 2020 eu estava desempregada, fazendo uns bicos para pôr um pouco de dinheiro em casa. Fui indicada pela minha amiga para trabalhar num empenho de segurança. Eu não tenho o curso nem nada, mas já trabalhei com monitoramento e controle de acesso, então minha amiga atuante na área conseguiu me encaixar num empenho lá perto do Jardim Angela.
(Caso você opte por contar os ocorridos no seu canal, não vejo problema nenhum em falar os nomes dos lugares.)
Quem conhece a região sabe que o lugar não é muito agradável e nem muito seguro em alguns pontos. Eu moro na zona sul, mas no extremo sul paulista, depois do Grajaú.
Apesar de tudo ser zona sul, antes de arrumar esse trabalho nunca tinha eu ido para esses lados do Jardim Ângela, então estava um pouco receosa, mas a necessidade faz com que passemos por cima de nossos medos para conseguir pagar as contas, não é mesmo?
Certo, para fazer esse empenho, precisei ir atrás de umas roupas adequadas e uns sapatos, consegui comprar tudo num brechó em Santo Amaro por um preço maravilhoso e os preparativos para ir trabalhar estavam concluídos com sucesso. O evento ocorreu em um sábado quente demais, mas nossa, como estava quente, muito ensolarado, eu tinha que estar lá às 17 horas e iriamos virar a madrugada trabalhando. O evento era um show de funk, (credo) com várias subjetividades funkeiras se apresentando, tudo na faixa para maioria com algumas áreas vip, patrocinado pelo pessoal do morro mesmo. (Boca)
No dia do evento, minha amiga que ia comigo teve um imprevisto e não conseguiu ir, então tive que me virar sozinha para encontrar o local e fazer o cadastro. Não vou me aprofundar muito nesse ponto, pois não é relevante para o relato, só digo que sofri, trabalhei demais mesmo e nem água nesse calor tínhamos.
Resumindo, trabalhei normalmente até as 22 horas, fazendo revista, ficando na portaria, controlando quem entrava e saia, olhando as pulseiras e liberando entrada VIP quando necessário, esse tipo de coisa. Porém, meu filho que na época tinha seus pouco mais de um ano, estava em casa com febre e por várias vezes tive que dar uma pausa para verificar se estava tudo bem com meu pequeno.
Isso deu uma briga enorme com a praga do encarregado, pois segundo ele, em vez de fazer o meu trabalho, eu fiquei com o meu celular sentada.
Foi uma confusão muito grande, eu não sou mulher de levar desaforo e entrei em conflito com o estúpido do encarregado e a mulher inútil dele, digo, fiquei retrucando, sem partir para agressão afinal eu estava em um lugar que eu não conheço, no meio de uma quebrada cercada por traficantes alguns deles até armados.
Por conta disso, acabei me vendo obrigada a ir embora mais cedo e, pior ainda, fiquei sem alguns pertences pessoais que ficaram guardados no armário e eu não obtive autorização para pegar.
Acabei perdendo um blazer, cerca de 25 reais, que estavam no bolso desse blazer e a chave da minha casa. Minha sorte foi que, com receio de ser roubada, já que as coisas ficavam em um armário sem supervisão, meu celular e o bilhete único não saíram do meu bolso, se não minha vida teria sido ainda pior.
Por volta das 22:40, antes das 23 horas, lá ia eu sozinha, com roupa social e um sapato social muito desconfortável, perdida, tentando voltar para casa, andando amedrontada pelas ruas de pouca iluminação. O local que estávamos era uma quadra esportiva perto de uma praça, eu estava fedendo, pois uma grande parte do dia tive que ficar num banheiro químico vigiando para que meninos não adentassem no banheiro das menias, aquele cheiro horrível de banheiro químico empregrinou na minha roupa de tal maneira que para ir embora minhas narinas doíam e não tinha Rexona que desse jeito.
Parei em um bar próximo e pedi ajuda para me localizar e saber algum ônibus que iria para Santo Amaro ou para alguma estação de trem ou metro ali próxima. Um pessoal bem-educado me informou o caminho mais prático para ir até uma avenida onde passava o ônibus Santo Amaro. Ainda foram comigo até um pedaço do caminho para que eu não fosse assaltada ou coisa pior e, quando chegamos a um pedaço movimentado, eu segui sozinha.
Era uma avenida dupla, bem movimentada, com pizzarias, lojas e afins. Claro que, pelo horário, muita coisa já estava fechada, porém, me senti um pouco segura.
O ponto estava bem cheio de pessoas, algo típico de um sábado à noite.
Vários ônibus passaram, nenhum com nome conhecido por mim, fiquei até não duvidar se estava no sentido certo, se o ônibus ia realmente passar naquele lado e perguntei para quem estava no ponto se teria ali algum ônibus que passava próximo de Santo Amaro, ou de algum estacão.
Lembrando que para quem não é de Sampa, se você estiver perdido e for para uma estação a partir dali, você pode ir para qualquer lugar. Tem até uma brincadeira, quando um pobre está perdido e vê um ônibus escrito terminal Santo Amaro, ele fica feliz. Mas esse não foi meu caso.
Apesar de algumas pessoas que estavam no ponto confirmarem que ali passavam os ônibus tão almejados por mim, estava demorando demais e nisso eram quase 23:30. A estação fecha pontualmente às 00:00 e eu já ficava mais preocupada a cada minuto a mais e irritada com toda essa situação.
Antes tivesse eu ficado em casa, viu.
Meu desespero era tanto que todo ônibus que parava eu perguntava se passava em alguma estação de trem e nisso, o ponto foi esvaziando.
Até que restavam apenas eu e umas 4 pessoas no ponto de ônibus e esses adolescentes que estavam comigo estavam deveras alterados e exibindo seus celulares, com som alto e tirando foto igual a retardados. Isso é um chamariz para assaltante, eu estava com mais medo ainda e esse ônibus que não passava? Pronto, vão me sequestrar, pensava eu.
Até que, adivinha, veio um ônibus escrito Estação Santo Amaro!
Guardem essa informação, não terminal Santo Amaro, mas sim estação Santo Amaro.
Até aí nada de mais, não são todas as linhas que fazem final em terminais, várias linhas espalhadas pela cidade são circulares ou ainda, vão para um ponto de parada muito distante e no meio do caminho passam por pontos de referências e têm múltiplos nomes em seu letreiro. Em fim, sabendo disso e para ter total certeza de que não iria pegar um ônibus errado às 23 horas da noite, eu entrei no ônibus, dei boa noite ao motorista e perguntei:
Esse ônibus passa no terminal Santo Amaro?
O motorista apenas acenou com a cabeça e eu entrei.
O ônibus não tinha cobrador, eu sentei na frente mesmo e aproveitei a viagem. Feliz por finalmente estar indo para casa.
Como estava iludida.
O ônibus fez um caminho confuso, tentei olhar no GPS, só que minha linda internet da OI decidiu parar de funcionar. Sempre que estou confusa, olho no GPS para me localizar. São Paulo é gigante e foi usando essa tática de acompanhar as viagens pelo GPS que aprendi melhor a me localizar nessa imensidão de ruas. Pelo menos faço isso quando estou em local seguro, não vou tirar o celular no meio da rua num local suspeito e arriscar ficar sem. (risos)
Parecia que eu estava na estrada do m'boi mirim, mais não tinha certeza, parecia muito mais estava diferente.
Quero lembrar que estávamos em 2020 OK?
Uma coisa que achei bem esquisita foi que, a partir de um certo ponto, a avenida era de paralelepípedo meio avermelhado. Quero repetir que eu não conheço essa região, então não sei se é normal ou se é um ponto tranversal mas é bem difícil aqui na zona sul encontrar uma rua de pedrinhas marrons avermelhadas.
O ônibus estava bem vazio, tinham poucas pessoas, ninguém entrou a viagem inteira, ninguém deu sinal, eu fiquei feliz, afinal meu objetivo era chegar rápido na estação para ir logo para casa.
Outra coisa estranha foi que o ônibus passou bem em frente a uma estação de trem, tinha um grande trem parado lá, um trem padrão da CPTM, nada demais, porém a avenida não era conhecida por mim, continuava sendo de paralelepípedo avermelhado.
Eu fiquei muito confusa. Pensei, ué, será que é estação nova? Achava eu que conhecia todas as linhas de trem e metro daquela região, pois a linha que costumo usar é Grajaú - Osasco (era, hoje em dia tem algumas estações novas) e a primeira baldeação, intersecção de linhas, era em Santo Amaro, onde é possível fazer a baldeação do trem para o metro.
Lembrando que o caminho parecia algo bem comum, nada anormal, com ruas, lojas, mercados grandes. Pequenos predinhos.
Nada que não aparente uma avenida normal de cidade grande.
E eu conheço muito bem as estações e seus entornos. Definitivamente não tem paralelepípedo.
Por exemplo, um lado do metro vai para Capao Redondo, o outro lado vai lá para a região central, passando por toda avenida Santo Amaro, avenida Ibirapuera, eu tenho certeza, não tem paralelepípedo nessas avenidas e em seus entornos. Quando optamos por ir de ônibus para algum local, é normal pegar linhas que fazem esse trajeto. Então, eu estava muito familiarizada com o nome das estações e especialmente com sua localização. Exceto os pontos mais distantes, só que o tempo de percurso não se encaixava com uma estação muito longinqua.
Definitivamente, eu não estava na avenida Santo Amaro, nem na Adolfo de Pinheiro muito menos na avenida Ibirapuera, onde fica localizada a maioria das estações dessa linha. E não era possível ter ido mais além para os lados da santa cruz em tão pouco tempo.
O mesmo se deve ao contrário no sentido Capão. Essas são as únicas opções de metro próximas a onde eu estava.
Outro ponto óbvio, o metro em sua maioria é subterrâneo, aquilo definitivamente era uma linha de trem, pois além de ser uma linha terrestre de superfície, também eu tinha visto o característico tem da CPTM. Só quem é de São Paulo sabe bem a diferença, é impossível confundir.
Ai, pensei: Uai, será que é uma estação nova da linha esmeralda?
Mas também não podia ser porque a linha Grajaú Osasco de trem passa nas Nações Unidas, Marginal Pinheiros e definitivamente não tem paralelepípedo, é asfalto mesmo com várias vias, são os dois lados do rio podre cercado de carros, de luzes, avenidas paralelas, grandes construções. Definitivamente, não tinha como ser a linha esmeralda, eu faço tanto essa rota de trem, de carro, de ônibus que eu conheço de olhos fechados esses caminhos.
Para ajudar na percepção, dá um Google, dá para entender bem doque eu estou falando.
Onde pelo amor de Deus eu estava?
Tentei ler o nome da estação e consegui ler João Dias.
Quero lembrar que era ano de 2020.
Eu pensei: Uai, João Dias?
Luciano, hoje em 2024 existe uma estação João Dias, que fica entre a granja Julieta e a estação Santo Amaro, Essa estação não faz conexão com nenhuma outra estação e está localizada ali na avenida das nações unidas / Marginal Pinheiros, e não tem paralelepípedo lá.
Outro ponto importante, na época, essa estação não existia e eu não sei dizer se já estava sendo construída, pois eu não andava tanto de trem naquela época, porém, a questão nem é tanto existir ou não, a estação poderia muito bem estar sendo construída, mas já ter suas plaquinhas, correto? Ter um trem ali, fazendo algum teste, não é mesmo?
O problema é, se é uma estação que fica entre duas estações localizadas em uma avenida X, essa estação tem que estar nessa avenida X, não pode estar em uma avenida Y, faz sentido?
Não faz sentido a estação ser localizada em uma avenida de paralelepido no meio de uma marginal.
Eu não consegui enxergar o rio, eu não consegui enxergar os comércios característicos da região, que são prédios bem grandes e marcantes, não localizei nem sequer a ponte João Dias.
Eu me lembro claramente de ter procurado no Google no dia seguinte: estação João Dias e eu não achei nada. Absolutamente nada, achei o terminal João Dias mas eu não achei a estação João Dias.
Na hora, eu estava sem internet e com muito pouca bateria, cerca de dez por cento. Meu celular era um Prime. Lembra aquele antigo da Samsung? Com a bateria mais viciada do que tudo? Então, tirar foto era inadmissível porque quando zerava a bateria para conseguir carregar, era um inferno, às vezes ficava (2h) em 0 por cento piscando infinitamente.
Ódio. Eu queria ter fotografado a fim de mostrar para meu marido ver se ele conhecia, às vezes por eu não ser daqui de Sampa, poderia ter algum lugar que não conhecia ainda com alguma conexão nova para baldear ou algo do tipo.
Mas não tinha, pesquisei depois. De Grajau até Osasco só tinha conexão respectivamente em Santo Amaro, Pinheiros, Presidente Altino e Osasco.
Definitivamente, digo com toda certeza, eu não estava nem perto de pinheiros e todas as linhas de pinheiros eu também conhecia e conheço não só por nome, mas também pelo entorno, por conhecer muito os arredores. Fora que o tempo de viagem não era compatível mais nunca. Nem se eu tivesse um jatinho. (Risos)
Em fim, fiquei pasma e pensativa, João Dias? O ônibus chegou até a diminuir a velocidade, (esqueci de falar, esse ônibus não era daqueles grandes com ar condicionado e tomada, era um micro, uma piruinha como a gente chama aqui, com as janelas que abrem e sem nenhum tipo de ar-condicionado, bem padrão da zona sul mesmo, aqueles azul sabe? Pequeno. Nenhum detalhe diferenciado dos demais ônibus).
Eu até pensei em dar sinal e pegar o trem ali, só que, por não conhecer, eu não sabia para onde ir, por exemplo, qual a próxima estação? Faço baldeação para onde pra chegar na linha esmeralda? Será que funciona mesmo até meia-noite? Será que está funcionando, se for uma estação nova, já inaugurou?
Optei por ir até o terminal Santo Amaro mesmo, já que se eu chegasse depois das 00:00, eu poderia pegar os ônibus da madrugada que iam para o Grajaú e, de lá, me virava para ir para casa.
Fiquei na curiosidade então para ver as próximas estações daquela misteriosa linha e o ônibus deu uma volta numa ponte bem pequena alguns minutos depois, sem passar por nenhuma outra estação. Não era a ponte João Dias aquela ponte. Até hoje não sei o nome dessa pequena ponte.
O ônibus havia passado por um gramado verdinho, sem árvores, e não passou por nenhuma outra estação no caminho.
Logo em seguida, o ônibus parou em um terminal minúsculo.
Eu pensei: Oooooh cara****, esse ônibus não vai para o terminal Santo Amaro.
😢
Xinguei tanto mentalmente aquela situação, já pensei logo, o motorista feio poderia ter avisado que essa desg***** não ia para o terminal quando eu perguntei. na verdade, nem na estação Santo Amaro o ônibus passou.
Eu já levantei do meu banco, brava, eu estava cansada, estressada, fedendo, com fome e com minha passagem contada para ir embora. Eu tinha dinheiro para integrar ônibus e metrô e só.
Perguntei ao motorista: onde eu estou? (oncoto)
O motorista, um idoso meio caquético com cara de mal-humorado, cabelos brancos, pele palida como se não tomasse sol há anos, olhou para mim e disse, final.
Então ele simplesmente abriu as portas, desceu e saiu andando.
Nossa, sério que é o ponto final? Achei que o ônibus tinha parado para descansar, coitado! Pensei eu, revoltada com tudo que estava acontecendo naquele dia.
Desci do ônibus atrás do motorista pela frente mesmo, sem pagar condução. Falei comigo mesma: fo*** se, não vou pagar. Se alguém vier reclamar, eu vou reclamar também. Como pode mentir assim? Prejudicar alguém desse jeito já era quase meia-noite já. E eu iria para casa como?
O motorista caquético parecia que tinha hélice na bunda, ele saiu tão rápido e desceu tão rapidamente uma escada que tinha ali no próximo que eu quase nem consegui o acompanhar.
Vamos lá, o terminal onde eu estava era bem pequeno, com umas três vias apenas, estava quase vazio. Lembro-me de que tinha esse ônibus parado ali (o ônibus que eu tinha acabado de descer) e mais um apenas, no lado oposto, um amarelo, do tipo grande, me lembro bem disso.
Quando eu digo que era um terminal pequeno, realmente era bem pequeno, um mini terminal. Em comprimento, dificilmente caberiam três ônibus enfileirados e, em largura, eram apenas três vias bem pequenas. Não tinha nenhuma placa, não tinha nenhum letreiro, nem nada. Quem é de São Paulo sabe bem como é um terminal de ônibus, cheio de letreiros, e placas, e nomes, e luzes. Com pessoas em qualquer horário, alguns com vários seguranças.
Ali não tinham portas, nem catracas, nem placas sinalizando linhas ou banheiros. Não tinha bilheterias ou banquinhos para sentar.
Também não tinham bebedouros. Eu estava com sede, poxa, um calor!
Era um terminal bem diferente mesmo, fora dos padrões de São Paulo, mesmo se tratando de lugares pequenos. Ah sim e tinha um grande vidro que dava pra olhar a paisagem do lado de fora!
Aquele terminal era bem chocho, até achei legal e diferenciado o vidro, mas, ele era chocho demais, com umas cores bem chocha tipo bege, meio amarelado, desbotado. Eu não sabia dizer nem onde era a saída. Além de pequeno, não tinha sinalização alguma, isso foi muito bizarro! A única placa que tinha era apontando para uma escada escrita metrô. Uma escada bem estreita e escura que descia em um dos cantos do terminal.
Isso mesmo, metro, não estava escrito trem, estação de trem ou o nome da estação, estava escrito metro.
Novamente ressalvo, impossível ter um metro ali, eu conheço os metros da região e não fazia sentido algum, pela localização que eu estava e tempo dentro do ônibus, era impossível ter um metro ali. A não ser mesmo que fosse uma linha nova completamente desconhecida por mim até então.
Se você pegar um mapa, pode ver que as únicas linhas próximas à região do Jardim Angela são a linha esmeralda e a linha roxinha de Santo Amaro! (Lilas)
Aquela hora era por volta das 23:50, mais ou menos. Entrei no ônibus próximo às 23:30. Em 20 minutos, não teria como cruzar a cidade até uma via totalmente desconhecida por mim, como a região leste, por exemplo, conheço bem pouquinho aquela região. Agora essa região sul mais centralizada, Santo Amaro, Morumbi, Jabaquara, Interlagos, Vila Mariana, ando nesses lugares de olhos fechados! Eu não só conheço como várias vezes, após anos tentei refazer o caminho para ver se encontrava esses lugares, sem sucesso algum.
Eu não sabia onde eu estava e nem que diacho de metro era aquele. Fora que aquela escada estava muito esquisita.
E outra coisa, apesar daquele lugar estar bem vazio para um sábado, tinha algumas pessoas ali, a mulher com um bebê embrulhado em uns panos, uns adolescentes perto da escada de metrô e alguns poucos funcionários.
Eu fui até uma mesinha típica dessas de terminal, que tinha uns funcionários em volta com uma prancheta, e perguntei:
Boa noite, gente, estou perdida, como faço para chegar no terminal Santo Amaro?
Eles me olharam, eram homens normais, com uniforme de terminal mesmo, aquela camisas listrada, olharam com cara de paisagem para mim, como se eu tivesse feito uma pergunta idiota.
Um deles falou:
Aqui é o terminal Santo Amaro.
Eu ri, pow, o Terminal Santo amaro? Quem já foi num terminal grande sabe do que eu estou falando, é enorme. Muitas linhas, muitas pessoas, muito movimento, a vozinha saindo do alto-falante. As TVS passando coisas inúteis que ninguém liga, espaço para dezenas de onibus. São mais de 50 linhas, definitivamente não. Não era ali.
Eu comecei a rir de nervoso, só podiam estar fazendo uma brincadeira muito da sem graça comigo.
Ali naquele mini terminal, parecia mais uma rodoviária de cidade do interior pelo tamanho minúsculo. Ali não tinha nem aqueles balcões de tomada para carregar celular. Não podia ser, não fazia sentido algum.
Eu ri de nervoso e falei: Aqui não é o terminal Santo Amaro.
Então, o outro funcionário, com uma cara de paisagem sem nenhuma vontade de falar, parecia que estava falando para dentro de tão baixo, repetiu: aqui é o terminal santo amaro!
E eu falei: Não é!
Já me estressando ainda mais com essa situação bizarra.
Então perguntei: Onde eu estou? (Oncoto)
Mais uma vez um deles falou: Terminal Santo Amaro!
Ele falou com um tom um pouco mais rispido.
E eu comecei a entrar em desespero, será que bati minha cabeça com força em algum lugar e estou em coma? Alucinando para ter um dia tão bizarro?
Eu me alterei e falei mais alto: impossível! Aqui não é o terminal santo amaro!
Então aconteceu uma coisa que me arrepia até hoje.
Eram alguns funcionários ao redor da mesa, creio eu que uns 4 funcionários ou 5, eu não me lembro ao certo, estavam bem no meio do terminalzinho, lembro de mais dois funcionários encostados perto do outro ônibus amarelo, creio eu que o motorista e o cobrador, eles estavam fumando um cigarro...
Sim, fumando um cigarro! (normalmente não pode fumar em terminais, normalmente neh...)
Tinha uma rodinha de pessoas perto da escada, adolescentes bem estranhos, com umas roupas meio esquisitas, meio desbotadas e tinha a mulher com uma criança que estava no ônibus comigo, encostada no vidro.
Eu terminei de fechar a minha boca e todos, menos os funcionários perto do ônibus amarelo, gritaram ao mesmo tempo:
VOCÊ ESTÁ NO TERMINAL SANTO AMARO!
Puta que me pariu, eu comecei a tremer e chorar, entrei em desespero, eu não sabia onde eu estava e agora essa bizarrice.
Parecia cena de filme de terror. Pensei: ou eu bati a cabeça com força e estou alucinando, ou eu estou em outra dimensão bizarra!
Eu definitivamente estava surtando Luciano, eu ia começar a gritar! Eu ia entrar em desespero, não tinha como. Não era possível uma coisa dessas!
Os adolescentes olharam para mim rindo, com uns dentes amarelos, de um jeito que até hoje me arrepia as costelas. Eles tinham uns olhos bem fundos, meio amarelados também. Como se tivessem anemia, sabe?
Eu comecei a tremer, fiquei sem reação, sem saber o que fazer.
Então, o funcionário perto do ônibus amarelo gritou para mim: Padre Jose Maria?
Eu já fui correndo para perto dele chorando mesmo, igual uma criança, e falei. Pelo amor de Deus, me ajuda, como eu chego lá?
Padre José María é a avenida onde fica o terminal Santo Amaro.
O Cobrador balançou a cabeça positivamente e falou: Fica a quinze minutos daqui a pé (Ele apontou pro vidro) Só não sei dizer se nesse horário você consegue chegar lá, moça. (???????????)
😮😮😮😮
Pensei comigo, pronto, vão me roubar. Vão me sequestrar, vão me matar...
Então, já que não tínhamos muitas opções. Perguntei: E esse ônibus amarelo vai para onde?
Eu só queria sair dali, nem questionei ir para aquela escada suspeito com aqueles adolescentes esquisitos.
Eu lembro que de um dos lados do terminal, pelo Janelão, dava para ver um gramado enorme. E escuro, nossa, como estava escuro. Não ia passar a pé ali nem ferrando.
Não via carros passando na rua nem motos.
Eu pensava: que porra que está acontecendo, eu só posso estar morta? eu estou dormindo? Oncoto?
O outro funcionário falou: Estamos indo agora para Pinheiros.
Eu falei bem incrédula: Pinheiros? Linha amarela? Perto da faria lima? Pinheiros mesmo?
O moço falou que sim e já foi entrando no ônibus pela frente.
Eu até perguntei: Tem certeza?
E o outro moço acenou com a cabeça, apontou a porta de trás e falou sobe aí!
Pasme, Luciano, ele abriu a porta de trás, num terminal, normalmente quem fica na mesa sentado com uma pranchetinha é o fiscal.
O cobrador simplesmente cagou para o fiscal e me mandou entrar pela porta de trás.
Sem nem questionar, subi e antes mesmo de eu me acomodar, o ônibus arrancou!
O cobrador ficou perto do motorista, na parte frontal do busão então não consegui perguntar que desgraça de lugar era aquele.
O ônibus pegou a mesma pontezinha, com o gramado verdinho. (Dava pra ver a cor do gramado por conta do farol)
Não era a ponte que passa por cima do rio podre que fica ali na linha esmeralda, era uma ponte bem pequena mesmo, passava apenas em cima do gramado.
Então, do nada, eu vi a estação Granja Julieta, menos de cinco minutos de viagem, reconheci bem de longe, reconheci o Carrefour, nossa, foi bem antes da reforma. Parecia estarmos atravessando as nações unidas, mas o ônibus estava tão rápido que não tive certeza do que estava acontecendo do lado de fora.
Ressalvo que não vi a João Dias.
Então, cerca de uns dez minutos depois, viramos em uma rua à direita e pronto, estávamos na Faria Lima.
Eu não sabia se ficava feliz ou assustada, ou feliz. Ou impressionada.
Nada fazia sentido, o trajeto, o tempo de viagem, as ruas vazias. O ônibus vazio.
Somente na Faria Lima que tudo pareceu se normalizar, passageiros subindo, passageiros descendo, carros, rua e o shopping bem movimentado.
Sem tijolinhos avermelhados.
Nunca fiquei tão feliz em passar em frente ao Iguatemi.
A partir daí, o trajeto se normalizou sem novas ocorrências. Tirando um ou outro olhar casual do cobrador durante a viagem.
Tive que pegar mais 3 ônibus para chegar em casa e cheguei já amanhecendo o dia, mas cheguei.
Viva.
Dia difícil.
Cheguei em casa, depois de um lindo e demorado banho e várias horas de sono, pesquisei terminais da zona sul no Google e não achei nenhuma foto sequer parecida com aquele lugar.
Estação João Dias, também nada.
~-AlgumasRessalvas.
O ônibus pinheiros que peguei parou na frente do terminal pinheiros, não dentro.
Não consegui saber qual era seu outro destino. não tinham placas dentro do onibus.
Acabei processando a empresa contratante e ganhei um dinheiro bom, então não foi de tudo ruim.
Tem mais algumas coisas para dar sequência aos fatos, porém estou um pouco assustada.
Enquanto estou escrevendo e editando esse relato meu filho, hoje com quase 6 anos, está chorando, gritando devido um pesadelo e o meu Pitbull super raivoso, se enfiou embaixo da cama do meu filho e não quer sair de la por nada.
Outra coisa estranha, enquanto escrevo isso, fui me despreguiçar e levei um tapão na mão. Só eu e meu marido no quarto e ele está dormindo!
Não é bizarro?
Vou deixar você ler e absorver essa história bizarra antes de continuar, talvez amanhã.
Juro por tudo que não estou inventando isso.
Não tenho tanta criatividade assim, para inventar um negócio desses. E o que eu ganharia?
PS: perdoe o pt, sou da area de tecnologia.
Agradeço muito a atenção!
Calma que ainda tem mais...
o outro texto infelizmente se perdeu quando o windows desligou sozinho.
WINDOWS SENDO WINDOWS! 😡
2 comments:
Eu lembro desse dia, você sumiu horas, sem sinal, fiquei preocupado e quando você chegou, já era de manhã!
Não fez sentido nenhum
Post a Comment