🕯️ O HOMEM DO QUARTO EMBAIXO


Durante três meses, eu aluguei uma casa no interior de São Paulo. Era uma casa velha, de dois andares, meio afastada, com um porão que dava direto pra um quarto subterrâneo — antigo, mofado, sem janelas, com cheiro de pano molhado e ferro oxidado. A dona disse que o lugar tinha sido usado como quarto de ferramentas. Mas eu juro que ouvi ela sussurrar "ele ainda dorme lá" quando se despediu.

Na primeira semana, tudo correu bem.

Na segunda, eu comecei a ouvir passos. Pesados. Como botas de ferro no chão de madeira. Sempre por volta das 3:14 da manhã.

Na terceira semana, o quarto de baixo começou a feder. Era um cheiro de carne velha, apodrecida, misturada com sangue seco. Eu trancava a porta todas as noites. Mesmo assim, acordava com ela destrancada, aberta só um pouco. Um dedinho de espaço.

A quarta semana me destruiu.

Eu instalei uma câmera apontando pra escada que levava até o quarto de baixo.
Na primeira madrugada, o vídeo captou... algo.
Uma figura muito alta. Impossivelmente alta. Com os braços compridos demais. A pele parecia de couro queimado, mas não tinha olhos, nem boca. Apenas uma abertura — enorme — no meio do rosto. E de dentro dela saía uma respiração ritmada... como se contasse.
Um... dois... três...

Quando vi o vídeo, no dia seguinte, vomitei. Juro por tudo. A coisa subia até a porta do meu quarto, ficava ali por exatos 7 minutos. E então voltava.

Fui embora no mesmo dia, sem nem pegar minhas coisas.

Mas desde então, toda noite às 3:14, a tranca da minha porta gira sozinha.


E hoje…
Hoje eu vi o trinco abaixar.
E ouvi aquela respiração de novo, do lado de fora.

Um.
Dois.
Três.
Quatro.








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