BORA COMPETIR!

 




















3 comments:

V. ALARIC MOREAU said...

No campo de Margaridas Brancas, o silêncio era quebrado só pelo farfalhar das pétalas e pelo sussurro do vento. Ali, todas eram elegantes, idênticas e graciosas, erguidas como pequenas rainhas sob o céu turvo. No meio delas, uma rosa vermelha — pequena, trêmula, de vermelho impossível — tremulava ao menor sopro.
As margaridas, acostumadas à própria glória, viam aquela estranha como afronta. Sussurravam. Uma murmurava à outra:
— Quem ela pensa que é?
— É fraca, diferente… vai morrer antes do outono.

A rosa, tímida, sentia o peso dos olhares. Suas raízes tentavam se aprofundar, buscar água, agarrar vida. Mas o solo ali era frio, apertado por tantas raízes antigas. À noite, enquanto o orvalho cobria as flores de prata, as margaridas se inclinavam ainda mais, roçando suas pétalas pálidas sobre a delicada rosa, sufocando-a em silêncio.

Na terceira noite, as margaridas decidiram agir. Uniram-se, suas raízes se entrelaçaram como dedos de mortos. A terra ficou densa, dura — a rosa começou a murchar. Tentou pedir ajuda ao vento, mas só recebeu um sussurro gélido, que a fez estremecer até os espinhos.
— Aqui só sobrevive quem é igual.

Aos poucos, as pétalas da rosa perderam o brilho, ficaram opacas, pesadas como veludo molhado. As margaridas, satisfeitas, ergueram-se mais altas, banhadas de orvalho e crueldade.

Na manhã seguinte, onde antes havia uma rosa, restava um pequeno caule torto, sem cor. Mas ao redor dele, o solo estava manchado de um vermelho escuro — como se o coração da rosa tivesse sangrado até a última gota.

As margaridas comemoraram, mas naquela noite, ao cair o crepúsculo, algo mudou no campo. Uma névoa vermelha rastejou pelo chão, subiu pelos caules, cobriu cada margarida com um véu pegajoso. Uma a uma, elas sentiram as raízes arderem, e perceberam, tarde demais, que o vermelho da rosa havia se misturado ao solo, envenenando cada raiz de inveja.
Ao amanhecer, não havia mais margaridas. Só pétalas brancas tingidas de sangue e, no centro do campo, uma única rosa, renascida, de cor ainda mais escura, com espinhos mais longos, cercada de silêncio e caveiras miúdas onde antes havia flores.

No campo onde a diferença era proibida, restou apenas a memória de um massacre —e o perfume doce, irônico e insuportável, da rosa que sobreviveu ao ódio.

Fim.

DSJFH15452 said...

O mania de usar essa desgraça de como se ein, não perde isso mais nunca meu Deus!

V. ALARIC MOREAU said...

Eu sei que amou, minha rainha do abismo.