NATAL DE GUGA, MEU PEQUENO ESCRITOR! A RENA!

  










Hoje foi um dia muito legal. Eu e Alisson brincamos na casa dele, a gente jogou bola até cansar, depois corremos pelo quintal e brigamos pra ver quem era mais rápido, só que eu deixei ele ganhar porque ele é meu melhor amigo. 




Tava quente demais, parecia que o sol ia fritar a cabeça da gente, mas tinha sombra das árvores, então não queimou tanto.




Aí a gente teve a ideia de encher a piscina de plástico. 


Demorou pra caramba pra encher, mas quando encheu, a gente mergulhou dentro, eu tentei afogar o Alisson de brincadeira e ele riu de mim, falou que sou fraco, jogou água na minha cara e eu engasguei, mas foi engraçado. 




O Ozzy, ficou doido, pulava pra dentro e pra fora da piscina, espirrando água em todo mundo!




Ozzy ta doido cara! 




Na hora do almoço a mãe dele fez arroz com ovo. Eu amo arroz com ovo, não é igual o da bisa mais deu pra comer, nunca fica igual o dela. 




Tomamos suco! 




Muito suco, tava calor demais. 




O Alisson fala que arroz com ovo é comida de herói, eu concordo.




Depois a gente ficou implorando pra mãe dele deixar ele dormir  na casa da bisa. É perto, chega ser menos que dois minutos correndo, somos rápidos. 




Eu falei: 




- Tia Rose, por favor, deixa o Alisson dormir comigo, só hoje, por favor, vai tia, deixa vai!




Aí o Alisson também ficou falando igual papagaio:




- Por favor, mamãe, por favor, deixa, deixa, vai, que que custa mamãe, deixa!




A tia Rose tava caindo de sono ela trabalha de noite igual mamãe, insistimos puxando a manga dela e ela acabou deixando.




Ozzy latiu. 




Feliz com a bagunça, Ozzy é doido cara! 




E eu falei: 




- Ozzy, para! 




Claro que ele parou, ele me obedece, Ozzy é meu irmão! 




Eu falei pra tia Rose:




- Podemos ir sozinhos, somos homens!




O Alisson reptiu também, igual bobo:




- Isso, Guga, somos homem!




Tia Rose ficou olhando da janela nós irmos, é muito perto mesmo e o Ozzy acompanhou, correndo no nosso lado.




Poucos passos vimos um bicho parado no meio da rua, muito proximo de uma caçamba de lixo, no começo achei que era só uma decoração de Natal estranha.




Poderia ter caido de algum carro, vai saber.  




Uma rena do Papai Noel toda estranha, com os chifres tortos, é dezembro, é natal um monte de lugar tem pisca-pisca e arvi de natal. 




O Alisson foi indo na frente com Ozzy, que já começou a latir e correr em volta do bicho. 




Mas a rena não mexia. 




A Rena ficava parada, com um olho fechadão e o outro arregalado pra gente, aí do nada cara, ela virou a cabeça bem rápido pro lado, depois pro outro lado, igual a menina do exorcista, mais em vez da menina, era uma rena. 




Travei na hora confuso, Alisson abriu tanto a boca que poderia entrar um morcego ali e fazer casa, e juntos vimos o chifre dela começou a entortar, parecia borracha, foi indo de lado até dobrar todo estranho. 




Que coisa estranha, olhei pra janela e tia Rose não estava mais lá não. 




O Ozzy ficou mais doido ainda, rodando em volta, rosnando pra ela, mas não chegava perto.




De repente, a rena caiu de costas, de um jeito esquisito, Ozzy deu um pulo e latiu feito louco, a Rena estava com as patas todas abertas, fazendo um barulho de galho quebrando e emitindo uns chiados. 




Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh


Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh


Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh




Ficou no chão a rena, torta! um olho ainda olhando pra mim, outro sumido. 




Cara, o olho da rena sumiu!




S


U


M


I


U




E fazia um barulho ruim, aquele barulho continuou meio chiado, igual o rádio velho da bisa. 




Eu fiquei parado não conseguia me mexer. 




O Alisson que já era branco, ficou pálido. também parou. 




Só Ozzy não parava de latir e rodar em volta da rena caída. 





- Ataca Ozzy! 




Mandei, eu vi ele tentando só não conseguia chegar perto dela, ou não queria.




- Guga vambora guga! Vamo sair daqui Guga! 




Alisson insistiu e eu continuei mandando Ozzy atacar, ele não conseguia. 




Acabei cedendo. 




- Ozzy para! Vem aqui. 




Chamei, ele continuou rosnando, precisei chamar algumas vezes. Então, por fim, lá pra quarta vez ele veio, ficou do meu lado e Alisson puxava minha mão, pra irmos.




- Vamo Guga, vamos. 




Espera!




Falei. Abaixei, peguei uma pedra e joguei na Rena Esquisita! 





A pedra acertou bem no único olho dela!




Não foi uma boa Ideia. 




A rena se levantou num pulo, ficou parada, feito fantoche, eu via que as pernas do bicho não aguentavam o peso do corpo, e de um jeito esquisito a maldita correu. Correu parecendo uma aranha toda estranha. 




Não pensei duas vezes, corri. 




Corremos! 




Eu na frente, Alisson atrás tropeçando, Ozzy queria atacar ela, tive que gritar com ele que, não é bobo correu junto. O problema, deveria ser rápido chegar na bisa, não foi, passamos uma hora correndo, uma hora!




Isso não tem lógica cara! Como assim? 


  


Vovó ficou perguntando porquê saimos sozinhos e falando um monte de coisa. Eu e Alisson tentamos explicar, falando junto ela no final deu leite pra gente e mandou deitar. 




Ozzy ficou inquieto jogado no chão. Meu irmão Ozzynho porque é grande, mas é bonzinho.




A vó foi lá fora pegar erva pra chá, disse que não ia demorar, demorou muito. A casa fez um barulho estranho. 


Não pensamos na rena na hora. Foi barulho de televisão velha com defeito. Vinha de todo lado cara! 




Alisson gritou e eu gritei também. 




Ozzy latiu. 




Alisson falou:




— Para de mexer no interruptor Guga!




Eu não mexi não.




Vovó não chegava logo, olhamos na janela pro fundo, pra horta e a vovó não tava! Vovó sumiu! 




Aí eu vi ela pela fresta da porta.




Vi a Rena! 




Ele tremia, fazia uns quadradinhos, às vezes ficava transparente. O rosto dela também mudava. O chifre mudou também, um segundo reto, no outro torto cara! 




Ela começou a pular toda torta feito as marionete da escola. 




Alisson gaguejou: 




— Você tá vendo isso também?




Como que não vê esse bicho?





— Crianças… crianças… crianças…




Ela repetia, falhando.




Ozzy ficou em pé na frente da cama latiu mais alto, parecia que tinha dois Ozzy latindo. Não entendi o que estava acontecendo não. 




Peguei uma faca. 




— A gente não pode mexer com faca Guga! 




— E morrer? A gente pode? Olha esse bicho ai! 




A Rena virou a cabeça rápido.




— Vocês não pertencem aqui.




Alisson chorou baixinho. Eu também queria, fiquei quieto homem não chora não.








A casa mudou, a parede ficou cheia de linhas verdes com uns número caindo, o chão igual gelatina meio mole. Eu senti vontade de vomitar.




Alisson caiu e quicou, chorando mais alto. 




— Para Alisson, seja forte! Levanta, vamos dar um pau nessa rena. 




Ele meio soluçando pegou o cabo de vassoura, Ozzy avançava pra porta batendo com a pata varias vezes, babando. 




A rena entrou no quarto sem abrir a porta, a porta continuou fechada e ela atravessou.




Mais o que? 




— Vem comigo — ela disse, sem abrir a porta agora com várias vozes juntas. — Lá não dói, Lá não tem avó velha, Lá não tem medo, você pode brincar pra sempre, vem. 




Eu pensei na vovó fazendo bolo de fubá e fiquei com raiva.




— MINHA VÓ NÃO É VELHA! 




— Não fala assim da tia! — Alisson falou gaguejando só que com raiva também. 




— Vocês já estão quase do outro lado. Vocês não são daqui!




— Vocês já estão quase do outro lado. Vocês não são daqui!




— Vocês já estão quase do outro lado. Vocês não são daqui!




— Vocês já estão quase do outro lado. Vocês não são daqui!




Ela esticou a pata, meio torta, meio piscando.




Quando chegou perto do meu primo, o ar ficou frio e fez  “bzzzt”.




Ozzy pulou na Rena, direto no pescoço e fez um som horrível de vidro quebrando o animal gritou, um barulho estranho. 




A rena era toda estranha! 




— NÃO É SUPORTADO — ela gritou, mudando de voz. — NÃO É SUPORTADO.




O quarto inteiro piscou.




Quando abri, vi o Ozzy sacudindo a cabeça, igual ele faz com bola, ou com brinquedo. O brinquedo era a rena.




Ela bateu nele com a outra pata, Ozzy sangrou e chorou mais não soltou, rosnou mais alto. 




Fui corajoso, meti a faca nas costas dela e Alisson deu umas vassoradas! 




— VAI EMBORA BICHO ESTRANHO! 




Ela começou a se desfazer.




Ela tentou falar mais uma vez:




— VOCÊS NÃO DEVIAM—




Dei um chute nela, ignorando o medo. Se eu consegui bater nas criança de olho preto, não ia perde pra essa rena estranha não. 




E então um barulho: 




CRASH.




Tudo voltou.




O quarto normal. 




A luz normal. 




A parede normal. 




Eu e Alisson nos encaramos, sem pensar corri pra Ozzy e abracei ele. 




Ele estava tremendo, e com um corte sangrando e outra vez vivo, outra vez meu irmão me protegeu. 




A porta abriu devagar.




A vovó apareceu, de camisola, com o rosto preocupado, vendo a bagunça. 




— Vocês também sentiram isso? — ela perguntou. — Que bagunça é essa? 




A gente ficou quieto.




Ela olhou pro Ozzy e brigou com ele ainda, dizendo pra ele não bagunçar a casa. 




Enquanto a vó dava bronca, vi no ar uma linha bem fininha, uma rachadura. 




Ozzy rosnou e sumiu.




Cachorro bom sabe quando algo estranho acontece.

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