Hoje, sentado na minha cadeira de rodas em frente à janela, olhando essas imagens enviadas, senti algo raro: um friozinho na barriga que só acontece quando a natureza joga um enigma na minha frente. Olhei, fiz cálculos, busquei explicações como faço há décadas, desde os tempos de estudante de física e astrônomo de quintal.
De início, confesso: apostei no balão. O céu de São Paulo é cheio deles, sejam de festa, meteorológicos ou lançados por curiosos. Mas quanto mais eu analisava, menos a hipótese me convencia. O brilho intenso, a forma, o tamanho aparente e a matemática que não fechava.
Os cálculos sugerem um objeto grande demais para ser qualquer balão comum, maior até do que muitos drones ou aviões comerciais nessa distância.
Pensei em satélite, mas satélite nenhum aparece assim: grande, nítido, brilhante, parado ou quase parado no céu, visível a olho nu e com detalhes na foto.
Avião? Também não encaixa, faltam asas, faltam luzes, falta o barulho. Pássaro, pipa, reflexo, fenômeno atmosférico: um a um, fui descartando, sempre com aquele cuidado de não querer encontrar mistério onde pode haver explicação comum.
Honestamente, nenhuma delas fecha a conta.
Revirei as imagens atrás de sinais de montagem, inteligência artificial, truque digital mas, para mim, essas fotos parecem autênticas. Não vi pixel estranho, recorte mal feito, nem distorções típicas de manipulação.
O que vejo é algo realmente captado no céu, por uma pessoa real, com uma câmera comum. Algo que, pelo menos por enquanto, não sei o que é.
E é aqui que entra a beleza da ciência: saber dizer “não sei” é sinal de humildade.
O que posso afirmar, com toda experiência de quem já viu milhares de balões, aviões, meteoros e até ilusões de ótica, é que esse objeto foge de tudo que conheço. Não me apresso em dizer que é nave alienígena, nem quero vender resposta fácil. O universo já é fantástico sem precisar de sensacionalismo.
Para mim, isso é — por enquanto — um Fenômeno Aéreo Não Identificado, um UAP. E é justamente nesses momentos que a astronomia fica mais fascinante: quando somos forçados a olhar de novo, investigar, buscar novos dados, escutar outros relatos.
Quem sabe amanhã ou daqui a cem anos alguém descubra uma explicação simples que hoje nos escapa. Quem sabe não.
O que precisamos saber para calcular tamanho e distância
Para calcular o tamanho real do objeto (ou sua altura no céu), precisamos de pelo menos um referencial de escala na imagem, por exemplo:
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Distância até a cerca/poste/fio visível na foto.
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Tamanho real do poste/cerca/fio (ou algo do chão).
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Posição do objeto em relação à referência na foto (mesmo plano? muito acima?).
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Campo de visão (FOV) da câmera/celular usada (pode ser estimado se você informar o modelo).
Se NÃO TIVERMOS um referencial de escala (só o céu e o objeto),
não existe cálculo físico possível — qualquer valor seria puro “chutômetro”
Fórmula da perspectiva angular
A fórmula básica para achar o tamanho real (D) de um objeto observado do solo é:
Onde:
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D = Tamanho real do objeto (em metros)
-
d = Distância até o objeto (em metros)
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θ = Ângulo aparente do objeto no céu (em radianos)
OU, se soubermos o ângulo aparente do objeto no campo de visão da foto (com base no sensor da câmera):
Como estimar o ângulo aparente
Se sua câmera/celular tira fotos com campo de visão horizontal de, por exemplo, 70°
(e o objeto ocupa 1/20 da largura da imagem):
Converta para radianos:
Aplicando a fórmula
Supondo que o objeto está a 1 km (1.000 m) de distância:
Se está a 2 km, seria o dobro: 122 metros.
Se está a 500 metros: 30 metros.
PASSO 5: Usando balão como comparação
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Balão de festa típico: 30 a 60 cm.
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Balão meteorológico: 2 metros (máximo estourado: 8 metros, só a grandes altitudes, onde já é invisível a olho nu).
Se o objeto aparenta mais de 10 metros de tamanho real a mais de 1 km de distância,
NÃO é um balão.
1️⃣ Primeiro passo: calcular o ângulo da cerca na foto
A cerca ocupa, vista de 2 metros de distância, um ângulo vertical:
Mas, como a câmera pega mais do que só a cerca, normalmente o campo de visão vertical (FOV) de uma câmera de celular é uns 50–60°.
Se a cerca está perto da borda da foto e o objeto bem acima, então a distância angular entre o topo da cerca e o objeto pode ser estimada em alguns graus.
2️⃣ Agora, vamos estimar o ângulo entre a cerca e o objeto:
Se, na imagem, o objeto está aproximadamente 4 alturas de cerca acima do topo dela:
Como você está a 2 metros da cerca, ela ocupa um ângulo:
Mas isso é impossível (maior que o campo de visão da câmera), então, provavelmente, a cerca ocupa só a parte inferior da imagem.
Se a foto mostra a cerca e mais o céu, o campo de visão vertical do celular (FOV) é em torno de 60°.
Se o objeto está na metade superior da imagem (exemplo), ele estaria a cerca de 30° de elevação em relação ao horizonte.
3️⃣ Agora, calcular a distância até o objeto (assumindo que está MUITO ALTO no céu):
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Se for um balão comum, ele estaria a até 2–3 km de altitude.
-
Se for um balão meteorológico, pode chegar a 30 km, mas aí some a olho nu.
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Se for um objeto realmente grande, estaria a menos de 1 km.
Vamos simular para 2 km de distância e para 500 metros, para ver os dois extremos.
4️⃣ Calcule o tamanho real usando o ângulo aparente na imagem
Se o objeto ocupa 1/20 da altura da imagem, e o campo de visão vertical é 60°:
Convertendo para radianos:
Se a distância é 2.000 m (2 km):
Ou seja, 104 metros de largura — IMPOSSÍVEL para qualquer balão conhecido!
Se a distância é 500 metros:
Ainda muito maior que qualquer balão de festa!
104 metros de largura
O objeto menor e mais próximo.
Vamos passar pelo checklist das explicações possíveis além de balão,
usando pura lógica e fatos conhecidos:
1. Satélite?
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Impossível:
— Satélites em órbita (mesmo os “baixos”) nunca aparecem grandes nem detalhados assim no céu a olho nu ou com câmeras de celular.
— A ISS (maior satélite artificial) cruza o céu como um ponto de luz, do tamanho de uma estrela muito brilhante, nunca com detalhes ou formas como nas fotos.
— Satélites voam a centenas de km de altitude, cruzando rapidamente o céu, não ficam parados.
2. Avião (FAB, comercial, particular)?
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Muito improvável:
— Aviões refletem luz do sol, mas sempre têm asas, luzes piscando (navegação), traços de motor/turbina, e são ruidosos.
— Mesmo aviões brancos de grande porte só parecem “pontos” a grande distância, e só “engrossam” em fotos feitas com zoom absurdo.
— Um avião visto de baixo SEM asas, SEM barulho, SEM movimento identificável é quase impossível.
— Aviões nunca aparecem com sumiço/retorno de brilho tão intenso e repentino.
— Um avião parado, grande e “piscando” assim não existe.
3. Satélite de balão da FAB, Google ou meteorológico?
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Balões meteorológicos já discutimos: a não ser que estejam muito baixos, não aparecem desse tamanho.
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Projetos de balão estratosférico (Google Loon, balões militares, etc.) são MUITO maiores, mas normalmente sobem a altitudes altíssimas e não ficam tão visíveis por tanto tempo.
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São raríssimos no Brasil, geralmente lançados em locais controlados, e rapidamente ganham altura.
4. Outros fenômenos naturais (nuvem, miragem, gelo)?
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Nuvens de alta altitude (tipo cirrus) podem refletir o sol, mas não com formato sólido, contornos definidos e brilho intermitente tão intenso.
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Cristais de gelo podem criar halos, “sundogs”, mas de novo: sem formato sólido ou destacado assim.
5. Outros fenômenos artificiais (drones, pipas, balões exóticos)?
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Drones: já descartado acima (altitude e ausência de estrutura/luzes).
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Pipas: impossível nas altitudes e tamanhos calculados.
6. Lixo espacial ou reentrada de foguete?
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Reentradas de lixo espacial costumam ser rápidas, brilhantes, com trilha de fogo/múltiplos fragmentos —
não “parados” ou com formato constante.
No fim das contas, o que resta diante desse enigma é justamente aquilo que move a ciência: a honestidade de admitir o desconhecido. Não encontramos nenhuma explicação comum.
Os cálculos mostram que o tamanho aparente é grande demais para qualquer objeto usual no céu, e o brilho, o comportamento e a ausência de características típicas das hipóteses naturais só aumentam o mistério.
Por isso, com toda experiência de anos olhando o céu, não me resta outra saída honesta além de dizer:
é um fenômeno aéreo não identificado.
Talvez um dia, com mais dados, outros ângulos, ou mais olhos atentos, cheguemos à resposta. Talvez não.
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